Aspectos Históricos                                       

  (Dados do "Livro Amarelo", editado em 1949)

 Em 1.784 o Capitão Inácio de Oliveira Campos e sua esposa D. Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castelo Branco mudaram-se para a Fazenda do Pompeu, que hoje ainda existe (não mais) e conhecida por “Pompeu Velho”.

D. Joaquina devido a paralisia de seu marido, assumiu a gerência dos negócios e se celebrizou, sendo por todos chamada de “D. Joaquina do Pompeu”.

Os limites da então fazenda eram aproximadamente os mesmos do atual município de Pompeu. A atual cidade originou-se do arraial de Buriti da Estrada, cujo nome é devido a um pequeno buritizal à margem da antiga estrada Real dos Montes Claros para Pitangui  por onde passavam as boiadas que daquela vinham, para esta cidade. Os vaqueiros pousavam no “Santo Antonio da Estrada” hoje Curvelo, e de lá vinham procurando o “ Buriti da Estrada”.

Em 1840 já se achava bastante desenvolvido o arraial, pois Joaquim Cordeiro Valadares, genro de D. Joaquina teve a iniciativa de construir a primeira igreja, transferida da fazenda do Pompeu, e que até hoje ainda existe (não mais): a capela do “cemitério velho”. Nesta mesma época, aquele cidadão, que deve ser considerado o benemérito n 1 da cidade, doou a primeira área de terras, para a construção de casas, e por conseguinte, para o desenvolvimento do arraial. Este gesto foi mais tarde, por ocasião da divisão da fazenda do “Quati” imitado por diversos  condôminos. Ainda em 1840 conseguiu o capitão Joaquim Antônio da Silva a criação da primeira escola local. Em 1852 Joana Evangelista de Oliveira mandou fincar os esteios da atual matriz. Em 1866 foi criado o distrito de N.S. da Conceição de Pompeu, pertencente ao município de Pitangui. Em 1893 foi inaugurada a estação de Pompeu da E.F.O Minas distante da cidade 13 KMS e até hoje (1947) a estação mais próxima. Em 1907 foi construída a primeira cadeia. Em 25 de Julho de 1916 foi instalado o grupo escolar. Em 1929 foram concluídas as  obras da ponte “Antônio Carlos” na rodovia Pompeu Estação de Pompeu, sobre o Rio São Francisco. Em 1932 foi feita a ligação de Pompeu, a Belo Horizonte por estrada de automóvel. Finalmente em 18 de Dezembro de 1938 por decreto do governo Benedito Valadares, foi criado o Município de Pompeu sendo instalado a 1o  de Janeiro de 1939. Nomeando seu primeiro prefeito: Francisco José da Silva Campos que governou o município até o dia 26 de Abril de 1941, data em que transmitiu ao Dr. Ciro de Campos Cordeiro (26-8-41 até 24-9-1945). Após a gestão do Dr. Ciro Cordeiro devido a mudança do regime, Pompeu teve os seguintes prefeitos: José Maria Álvares da Silva (24/9/1945 até 26/11/1945), Dr.José Caldeira (26/11/45 até 24/3/46) José Maria Álvares da Silva (24/3/46 até 31/12/46), Francisco Procópio Lobato (9/1/47 até 12/4/47, Oliveira Corrêa de Lacerda (12/4/47 até 21/10/47) Antônio Januário Sobrinho (21/10/47até 18/12/47).

No dia 23 de Novembro de 1947, no primeiro pleito municipal foi eleito prefeito Municipal o Senhor José Maria Álvares da Silva, e vice prefeito Senhor Joaquim Higino de Campos Quito. No dia 10 de Dezembro de 1947, instalou-se a primeira Câmara Municipal de Pompeu que ficou assim constituída: Presidente, Dr. Oswaldo Álvares da Silva; Vice-Presidente, Omar Lobato; Secretario, Inácio Diogo Campos, e os vereadores Antônio Maria de Campos, Benedito Xavier, Fábio Cordeiro Valadares, Joaquim Antônio de Campos Machado, Levi Campos e Omar Campos Guimarães.

Pela reforma de 31 de Dezembro de 1948, o povoado Buritizal, subiu para distrito com a denominação de Silva Campos. 

População do Município (1947):  20.300 dos quais 5.200 residem na sede.

Industrias Agro-pastoris: Aguardente, 50.000 litros; rapadura, 10.000 kg; açúcar do engenho, 140.000 kg; farinha de mandioca, 8.000 sacos; leite, 4.000.000 litros; ovos, 120.000 dúzias.

Fabricas de Móveis: De Sebastião Afonso da Silva  e de Geraldo Fernandes da Silva.

Fabricas de aguardente: De José Maria Alves da Silva, de Francisco Procópio Lobato, Pedro Roberto Menezes, Galdino Ferreira da Silva e outros.

Lacticínios: Thomas Campos & Cia.

Cortumes: Josefino Gonçalves dos Santos, Francisco Afonso da Silva, Cândido Alves de Sousa.

Selarias e artefatos de couro: Geraldo Afonso de Araújo.

Olarias: José Maria de Carvalho, Afonso Alves Martins e outros.

Oficina de conserto de automóveis – Juvenil José da Rocha.

Comercio – As principais casas de comércio: Acrísio Álvares Cordeiro, Alair Castelo Branco, Campos &Filhos, Candido Ribeiro de Campos, Celso Maximo Pedreira, Cristiano de Oliveira Campos, Geraldo Manuel Assunção, Geraldo Pinto Moreira, Ibraim Halabi, Irmãos Viera, Joaquim Antonio de Campos Cordeiro, Possidônio de Freitas, Afonso Martins e outros.

Hospedagem: “Pompeu Hotel” do Sr. João Matheus Batista Porto e Hotel Campos da Dona Laudelina Correia (Dona Duí) e mais uma pensão de Dna. Áurea Louzada.

Farmácias: Farmácias popular do Sr Manuel Torquato Junior, e mais as farmácias dos senhores José Iraci Torquato, Manuel Iraci Torquato, José Custódio de Oliveira e Benedito Xavier.

Profissões Liberais: Médicos: Drs.Osvaldo Álvares da Silva e José Francisco Chamon. Dentistas: João Mendes Ferreira, Ataliba Rodrigues Alves, Jacinto Araújo Matos.

Instrução: Um grupo escolar e uma Escola Reunida Estaduais, 17 Escola Rurais, mantidas pela prefeitura.

Força e Luz: Da Prefeitura Municipal.

Diversões: Cine Changai.

Campos de Esportes: Existe um do Clube Atlético Pompeano.

Aviação: Há  um campo Municipal 800X 120 e 2 particulares.

Policia: Há uma delegacia de policia com um delegado civil, um delegado especial oficial, um sargento e 5 praças.

Bancos – Agência do Banco do Comércio Indústria de Minas Gerais, correspondentes do Banco Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais, Banco da Lavoura de Minas Gerais, Banco Mineiro da Produção, Banco Financial da Produção.

Calçamento: Macadame simples na sede.

Rendas em 1948 –  Estadual: Cr 1.018.976.40; Municipal: Cr$ 488.876.40.

Propósitos e plano administrativo do Primeiro Prefeito eleito: Quantos visitamos o novo e promissor município de Pompeu, tivemos a oportunidade de entrevistar-nos com o Senhor José Maria Álvares da Silva, operoso prefeito do município, ouvindo dele os seus propósitos administrativos para o seu período à frente da administração municipal e que eram os seguintes:

Educação: Construção de 2  novas escolas rurais, localizadas, no lugarejo denominado Fabrica” e outra na fazenda “Mocambo”.

Estradas de rodagem: Conservação e encascalhamento das estradas municipais. Construção de 5 grandes pontes nas estradas. Construção de uma estrada de rodagem ligando a sede do distrito de Silva Campos, ao porto Mesquita.

Saúde pública: Combate a Malária. Construção por iniciativa particular de uma Casa de Caridade, à qual depois a Municipalidade dará o seu apoio.    

 Água e esgotos: Perfuração de poços artesianos, para abastecimento de água portável da cidade, com rede de esgoto.

Força e luz: O melhoramento do fornecimento da luz, trazendo-a da usina de Martinho Campos.

Fórum: A construção do fórum por dádiva popular. Construção que o povo do Município vai oferecer ao Estado, no valor aproximadamente de Cr$ 600.000.00. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Padre João Porto

 

 

 

 

O primeiro pequeno  prédio à esquerda, nos mostra a antiga padaria do sr. Zezé da Salvina  e posteriormente do Vítor.A segunda casa nos mostra a antiga residência do sr. Olivério Lacerda e logo depois o  Hotel de Dona Marieta e João da Doca. A direita, em primeiro plano, vemos o colégio dona Joaquina e  logo depois o antigo posto de gasolina, do Tonho Colosso e um pouco adiante a primeira farmácia do sô Wilson.
 

 

– Esta é uma foto histórica: o sr. Bino Reis e sua famigerada bicicleta voadora. Ele e sua “Aerobino” foram manchete em uma das mais famosas revistas semanais da época: “O Cruzeiro”. Conta que sua bicicleta está em Lagoa Santa, na escola de aeronáutica .A foto me foi gentilmente ofertada pelo saudoso José Maria Soares – o Zé Maria do Zé do Aristóteles.(É bem possível que esta foto tenha sido batida pelo saudoso Zé Bocó)
 

 

 

 

   

A HISTÓRIA DE Dª. JOAQUINA DO POMPÉU                             

 

 

         Dr. Jorge de Abreu Castelo Branco , pai de Dª. Joaquina , nasceu   em  1713 em Viseu , Portugal , formado em Cânones  pela    Universidade de Coimbra , Dr. Jorge destinara-se   à Igreja católica como padre, no Monsteiro de Santa Cruz de Coimbra.

          Recebera ordens sacerdotais menores , das mãos de Dom Frei Manoel de Jesus e         Maria , Bispo de Nanquim . Dedicando –se a carreira Eclesiástica  veio tentar a vida no Brasil em 1747 , residindo em Mariana/MG.

          Abandonou os estudos para Padre e formou em Advocacia, casou em 20 de fevereiro  de 1748 , com Jacinta Tereza da Silva , nascida em Salvador na Ilha do Faial, , O casamento foi realizado na localidade de Santo Antônio do Bacalhau/Bahia, na Igreja de Nossa Senhora de Guarapiranga  .

         O casal teve 9 filhos ; Eufrásia Leonor Guedes da Silva de Abreu Castelo Branco , Ana de Abreu  Castelo Branco , Agostinho de Abreu Castelo Branco ,José de Abreu Castelo Branco , Francisco Jorge de Abreu Castelo Branco, Domíciano José de Abreu Castelo Branco , Floriano de Abreu Castelo Branco, Germano de Abreu Castelo Branco , e  Joaquina Bernarda da Silva de Abreu Castelo Branco.

          Em 28 de março de 1762 Jacinta Tereza da Silva veio a falecer , Dr. Jorge ficando viuvo , resolveu completar sua ordenação para padre , em menos de seis meses , já estava ordenado a presbítero . Dr. Jorge na sua profissão de advogado vítima de fofocas em Mariana mudou para Pitangui.

          Umas das filhas do casal que se destacou na História Brasileira foi Dª. JOAQUINA DO POMPÉU nascida no dia 20 de agosto de 1752 à meia-noite , em 3 de setembro do mesmo ano D. Joaquina foi batizada . Este  ano de 2002 comemora-se 250 de Dona Joaquina do Pompéu . D. Joaquina  casou-se  aos 12 anos de idade com o Capitão Inácio de Oliveira Campos , em 1764.

          O Capitão Inácio de Oliveira Campos, era filho de Inácio de Oliveira e Ana de Campos Monteiro. Depois de casados Dª Joaquina mudou-se de  Pitangui. Inácio de Oliveira Campos como Capitão-mor ( Capitão principal) recebeu grandes quantidades de terras na região de Paracatu e em seguida comprou a fazenda pertencera a Manuel Gomes da Cruz, e anteriormente pertenceu a Antônio Pompéu Taques  (primeiro morador civilizado de Pompéu ) . Em 1792 o casal que prosperou economicamente, pode comprar a Fazenda de Nossa Senhora da Conceição do Pompéu era sua vontade morar em algum lugar onde a natureza reinasse.

           Nesse tempo Dª Joaquina já tinha vários filhos ; Félix de Oliveira Campos , que estava com 15 anos de idade quando Dª Joaquina foi para o arraial do “ Inficionado ” ( atual cidade de Santa Rita do Durão ) para passar a escritura da fazenda .

          A “ Fazenda do Pompéu ” como era chamada naquele tempo , tinha : 40 cavalos , 40escravos , 9.000 cabeças de gado , 3.000 éguas  e 16 mulas de tropa .

          Naquele tempo a fazenda tinha um pequeno sobrado,    em ruínas . Nossa matriarca  ao perceber isto, resolveu então construir o seu solar (casarão ) contratando para a construção o mestre de obras , Tomé Dias ( sabe –se  que o casarão tinha 79 quartos de dormir espalhados por dois andares . Infelizmente, aquela relíquia foi demolida a 26 de abril de 1954 por pessoas divorciadas da História )

          Em sua consagrada  obra  “ Dama do Sertão ” Antônio Campos Guimarães repete textualmente as palavras de Dª Joaquina ;

    ___  “ Tomé : quero construir a quatrocentos metros do lado esquerdo  do  casarão, um cemitério com uma Capela e uma cruz de aroeira para a minha família  ( cemitério dos brancos ) . Do mesmo lado distante  mil metros , um cemitério para os meus escravos ( cemitério dos negros ) , cercado com lascas de aroeira, bem fundo, para que os tatus não comam os meus negros depois de mortos, e uma cruz do mesmo tamanho da cruz do cemitério da minha família”

          Algumas pessoa que conhecem a história de Dª Joaquina do Pompéu, dizem que ela era má , o que não é verdade .

           Segundo Agripa Vasconcelos autor do livro “ Sinhá Braba , Dª Joaquina do Pompéu ” era uma mulher justa e caridosa , ao contrário de Maria Felisberta Alvarenga da Cunha ( Maria Tangará ) inimiga irreconciliável dela.

         Agripa Vasconcelos diz em seu livro que Maria Tangará matou 60 escravos e mandou jogar seu corpos em uma cisterna ( poço ) a qual mandou entupir com terra onde  plantou uma arvore . Verdade ou mentira ?

          Dª Joaquina do Pompéu teve dez filhos, a saber :

1-       Anna Jacinta de Oliveira Campos, que se casou  com Thimóteo Gomes Valadares ;

    Felix de Oliveira Campos, que se casou com Eufrásia  Maria da Silva ;

3-       Maria Joaquina de Oliveira Campos, que se casou com Luiz Joaquim de Souza Machado ;

    Jorge de Oliveira Campos, que se  casou  com Antônia Maria de Jesus ;

    Joaquina de Oliveira Campos, que se casou com Antônio Alves da Silva;

6-       Isabel Jacinta de Oliveira Campos , que se casou com Martinho Alvares da Silva ;

7-       Inácio de Oliveira Campos , que se casou com Barbara Umbelina de Sá e Castro

8-       Anna Joaquina de Oliveira Campos, que se casou com João Cordeiro Valadares ;

9-       Antônia Jacinta de Oliveira Campos , que se casou com Joaquim Cordeiro Valadares, e

10-   Joaquim Antônio de Oliveira Campos , que se casou a primeira vez com Claudina Cândida Lataliza França , e a segunda vez com Anna de Oliveira Campos Cordeiro , sua sobrinha.            

        Além desses filhos já citados , Dª Joaquina deixou uma descendência muito vasta composta de :

                87 netos

                333 bisnetos

                1.108 trinetos

-                14.637 tetranetos , e assim por diante , sua descendência direta está hoje entre 37 à 40 mil pessoas.

          Em 1804 o marido de Dª Joaquina veio a falecer, Inácio já se encontrava paralítico. A fazenda do Pompéu já de despontava como celeiro agrícola do país.

          Em 1808  chega no Rio de Janeiro a Corte Portuguesa Fugidos de Portugal devido ao bloqueio de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica. Recém chegados ao Brasil Dª Joaquina Ajudou a D. João VI , nutrindo a  Corte Portuguesa que era composta por 17.000 nobres, mandou o boi em pé e todos os  mantimentos necessários, principalmente gado e roupas pois no Rio de Janeiro não havia alimento nem moradia para toda esta gente, a Corte Portuguesa  passava grandes necessidades . D. João vendo a generosidade de Dª Joaquina , deu como retribuição, um cacho de bananas todo foliado em ouro  e Dª Joaquina deu a ele um ananás (abacaxi do mato ) todo de ouro maciço .

          Em 1822    Joaquina ajudou também a D. Pedro I  na Guerra da Independência , dando a ele gado para a alimentação das suas tropas .

           Em 7 de dezembro de 1824 com 72 anos de idade a nossa matriarca veio a falecer de pneumonia , deixando para seus herdeiros , um milhão de alqueires de terra , mais de 1.000 escravos , 53.932 reses de criar , 9.000 éguas e 2.411 juntas de boi , seu latifúndio  está hoje dividido em cerca de  200 fazendas importantes . A fazenda de Dª Joaquina abrangia várias extensões sendo as cidades hoje : Abaeté , Dores do Indaiá , Paracatu , Pitangui , Pompéu , Pequi, Papagaios , Maravilhas e Martinho Campos .

           Dª JOAQUINA representa a fibra das MULHERES MINEIRAS daquele tempo , MULHERES que sozinhas ou com seus maridos ajudaram na formação do ESTADO E DO PAÍS.

 

 

 

 

                                      MATÉRIA : MATEUS R. VELOSO DE AGUIAR   

                                             PRESIDENTE DO JORNAL GAZETA DE  POMPÉU ” 

                         

 

                                                     

 

Voltar ao Índice desta Cidade
Voltar ao Índice Geral
  Fale Conosco

Distribua entre os conterrâneos o endereço, abaixo, para entrar em contato com familiares, amigos e autoridades, enviar fotos e cópias de documentos, tudo gratuitamente :

pompeu@cidadesnet.com.br